Threat Intelligence (inteligência de ameaças) é informação sobre ataques e adversários que foi coletada, analisada e enriquecida para virar decisão prática: priorizar riscos, ajustar controles, caçar ameaças e responder incidentes mais rápido. O valor está em transformar “dados soltos” (IOCs/TTPs) em ações no seu ambiente.
Threat Intelligence o que é, na definição “que vale para o CIO e para o analista”
Pelo NIST, threat intelligence é informação de ameaça agregada e analisada para dar contexto a decisões (não é só lista de IP malicioso).
Na prática, TI boa responde:
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Quem está atacando (perfil/adversário)
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Como ataca (táticas e técnicas — TTPs)
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O que procurar (indicadores — IOCs)
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O que fazer agora (prioridades e playbooks)
Por que Threat Intelligence virou essencial (e não “luxo de SOC grande”)?
Dois fatos do mundo real explicam:
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A maioria das violações envolve o fator humano (engenharia social, erro, uso de credenciais). No DBIR 2024, o “human element” aparece em 68% das violações.
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O atacante se move rápido. No relatório da CrowdStrike (2024), houve breakout time (tempo para “sair do ponto de entrada e começar a se expandir”) registrado em 2 minutos e 7 segundos no caso mais rápido.
Tradução executiva: se você descobre tarde, você apaga incêndio caro. Threat intelligence serve para antecipar, priorizar e encurtar o tempo até conter.
Exemplos reais de como inteligência (ou falta dela) muda o jogo
Caso 1 — Colonial Pipeline (ransomware): senha/VPN e ausência de MFA
Reportagem da Reuters sobre Colonial Pipeline cita acesso por VPN e ausência de MFA como parte do contexto do ataque. Isso é threat intelligence aplicada de forma simples: TI aprende que credenciais + acesso remoto sem MFA são risco máximo e prioriza correção antes do incidente.
Caso 2 — Avisos conjuntos com IOCs/TTPs (CISA/FBI): inteligência “pronta para caçar”
A CISA publicou atualização de advisory de ransomware (DarkSide) incluindo arquivo STIX com IOCs para ajudar defensores a detectar e mitigar atividade. Isso é threat intelligence no formato certo: não “artigo”, mas artefato acionável.
Threat Intelligence é só IOC (IP/Hash)? Não. É TTP + contexto
Pra não cair no erro mais comum:
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IOC (indicador): IP, domínio, hash, e-mail, URL.
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TTP (tática/técnica): comportamento do atacante (ex.: phishing, execução remota, credential dumping, movimentação lateral).
O MITRE ATT&CK é uma base pública que organiza essas táticas e técnicas com base em observações do mundo real.
Pulo do gato: IOC expira rápido. TTP dura mais e ajuda a criar detecções resilientes.
Quais tipos de Threat Intelligence existem (e qual você precisa)?
Use este mapa simples (e bem aplicável):
1) Estratégica (para diretoria e risco)
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Tendências, setores mais visados, impactos, ROI de controles.
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Saída: decisões de budget, prioridades, apetite a risco.
2) Operacional (para planejamento e resposta)
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Campanhas, grupos, alvos, playbooks, “como eles entram”.
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Saída: reforço de procedimentos e controles (ex.: MFA, hardening, segmentação).
3) Tática (para SOC e engenharia de detecção)
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TTPs no MITRE, padrões de ataque, hipóteses de detecção.
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Saída: regras no SIEM/EDR, hunting queries.
4) Técnica (IOC puro)
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IPs/domínios/hashes/assinaturas.
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Saída: bloqueios automatizados, listas de reputação.
(Esse modelo aparece em várias referências do mercado; a IBM descreve bem a diferença entre níveis e o uso prático de cada um.)
Como Threat Intelligence ajuda a evitar ransomware na empresa?
Threat intelligence ajuda a reduzir acesso inicial e a conter antes de criptografar:
Checklist prático (TI + Sec):
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MFA e endurecimento de acesso remoto como prioridade nº 1 (aprendizado recorrente em incidentes reais).
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Caça por TTPs típicos de ransomware: escalada de privilégio, movimentação lateral, exfiltração antes da criptografia.
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Usar advisories com IOCs/TTPs para “varrer” ambiente (ex.: STIX publicado).
“Empresa foi atacada por ransomware”: como Threat Intelligence acelera a resposta?
Quando o incidente estoura, TI decide mais rápido:
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Quais IOCs procurar (domínios, processos, hashes).
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Quais técnicas estão em jogo (movimentação lateral, credenciais).
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Quais controles ativar (isolar endpoint, resetar credenciais, bloquear rotas/egress).
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O que priorizar (ativos críticos e caminhos de persistência).
Resultado: menos tempo perdido em “tentativa e erro”.
Como reduzir alertas de segurança (alert fatigue) com Threat Intelligence?
Alert fatigue normalmente é “muito alerta genérico, pouco contexto”. Intelligence resolve isso com enriquecimento e priorização:
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Enriquecer alertas com reputação/criticidade do ativo e contexto de campanha.
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Priorizar por risco real: o que está ligado a TTPs relevantes hoje (e não “tudo que pisca”).
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Automatizar bloqueios para IOC técnico de baixo risco e deixar o time focar no que é tático/operacional.
Exemplo prático: um IP suspeito isolado pode ser ruído; o mesmo IP + login anômalo + execução de ferramenta de acesso remoto vira incidente.
Como melhorar visibilidade de endpoints usando Threat Intelligence?
Sem visibilidade de endpoint, intelligence fica “no PowerPoint”. O básico:
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Telemetria do EDR/EPP (processos, rede, execuções)
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Inventário confiável (quem está protegido, quem está desatualizado)
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Detecções mapeadas em TTP (MITRE)
Tradução: você quer conseguir perguntar “temos evidência dessa técnica acontecendo?” e responder com dado.
Como detectar movimentação lateral com base em inteligência
Movimentação lateral é onde ataques viram “dominó”. Threat intelligence ajuda a criar detecções por comportamento, por exemplo:
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Execução remota em múltiplos hosts em curto período
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Logins admin fora de padrão
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Criação de serviços/agendamentos suspeitos
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Acesso anômalo a file servers
Dica prática: se sua detecção depende só de IOC, você sempre chega atrasado. Foque em TTP.
Como proteger rede contra invasões com Threat Intelligence
Use intelligence para direcionar “onde apertar”:
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Quais serviços expostos têm histórico de exploração (prioridade de patch/hardening)
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Quais vetores estão em alta no seu setor (phishing, VPN, cloud)
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Quais rotas de saída devem ser monitoradas (C2, exfil)
Isso vira backlog claro de segurança: fechar portas primeiro, depois embelezar o resto.
Como proteger dados sensíveis LGPD com Threat Intelligence
TI + LGPD converge assim:
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Intelligence aponta padrões de exfiltração e “pré-ransomware”
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Você aplica controles em dados: acesso mínimo, trilha de auditoria, governança de compartilhamento
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Você prioriza proteção nos sistemas que guardam dados sensíveis (e não “tudo igual”)
Como implantar Threat Intelligence na Infob e nos clientes (um playbook de 30 dias)
Sem enrolação, modelo “enxuto que funciona”:
Semana 1 — Fundamentos e fontes
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Definir objetivos: reduzir ransomware? reduzir alert fatigue? melhorar hunting?
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Escolher fontes:
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Públicas (CISA advisories, MITRE ATT&CK)
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Comerciais (feeds do EDR, vendors)
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Internas (incidentes, logs, lições aprendidas)
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Criar o “modelo de decisão”: o que vira ação e o que vira arquivo.
Semana 2 — Pipeline e padronização
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Padronizar formato: STIX/TAXII quando possível (automatiza compartilhamento).
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Criar rotina de ingestão (diária/semanal) e triagem.
Semana 3 — Ações no ambiente
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Converter intelligence em:
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regras/consultas de hunting
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bloqueios (domínios/IPs)
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hardening (MFA, desativar legado, segmentação)
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Mapear detecções por MITRE (TTP).
Semana 4 — Métricas e governança
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Medir:
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tempo de triagem
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alertas reduzidos por tuning com contexto
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incidentes evitados/contidos mais rápido
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Ajustar playbooks e priorização.
FAQ — Threat Intelligence (o que é) e aplicação prática
1) Threat intelligence o que é, em uma frase?
Informação de ameaça analisada e contextualizada para apoiar decisões e ações de defesa.
2) Threat intelligence serve para PME ou só enterprise?
Serve para PME sim — principalmente para priorizar MFA, patching, hardening e reduzir risco de ransomware com foco.
3) O que vale mais: IOC ou TTP?
IOC ajuda em bloqueio rápido, mas TTP dura mais e cria detecção resiliente. O MITRE ATT&CK é referência para TTPs.
4) Como evitar ransomware na empresa usando intelligence?
Priorize MFA e acesso remoto, use advisories com IOCs/TTPs para caçar sinais, e prepare contenção rápida.
5) Intelligence ajuda a reduzir alert fatigue?
Sim: ao enriquecer e priorizar alertas por contexto de ameaça, você corta ruído e foca no que é incidente real.
6) STIX/TAXII é obrigatório?
Não, mas é um acelerador: padroniza e automatiza compartilhamento de intelligence.
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