Para evitar ransomware na empresa, foque em 5 frentes: MFA em todo acesso remoto/admin, patching com SLA, EDR com contenção, segmentação para bloquear movimentação lateral e backups offline/imutáveis com teste de restauração. Ransomware quase sempre é consequência de falha em identidade, exposição e resposta lenta.

Por que ransomware ainda derruba empresas que “têm antivírus” (e como evitar vírus na empresa de forma realista)?

Porque ransomware moderno raramente começa como “um vírus bonitinho”. Ele começa como acesso: credenciais roubadas, engenharia social, VPN/Citrix exposta, falha sem patch — e só depois vira criptografia e extorsão.

No Verizon DBIR 2024, cerca de um terço das violações envolveu ransomware ou outra forma de extorsão, e “pure extortion” aparece como componente relevante. Isso mostra que o risco não é teórico: é padrão de mercado.

Como evitar ransomware na empresa: o que funciona mesmo (camadas que dão ROI)

1) Como bloquear a porta número 1: credenciais e acesso remoto?

Se você fizer só uma coisa “amanhã”, faça isso:

  • MFA obrigatório para: e-mail, VPN, Citrix, RDP, painéis administrativos, acesso a sistemas críticos

  • Contas administrativas separadas (admin não pode ser a conta do dia a dia)

  • Privilégio mínimo (nada de “todo mundo admin local”)

  • Reset de senha com validação forte (service desk é alvo de engenharia social)

Experiência real (sem romantizar): no caso Change Healthcare (2024), relatos apontam que o ambiente foi comprometido por credenciais roubadas e MFA não estava habilitado em um portal de acesso remoto (Citrix), e o ransomware foi implantado dias depois. Isso é o tipo de “falha básica” que vira desastre operacional.

2) Como evitar exploração de falhas: patching com SLA (sem travar a operação)

Ransomware gosta de vulnerabilidade conhecida porque é barato e escalável.

Modelo que funciona (simples e executável):

  • Inventário mínimo de ativos (o que existe e o que é crítico)

  • SLA por criticidade:

    • Crítico: 72h–7 dias

    • Alto: 7–14 dias

    • Médio: 30 dias

    • Baixo: 60–90 dias

  • Prioridade para o que é “porta para a internet”: VPN, firewall, gateway de e-mail, Citrix, RDP, servidores expostos

3) Como melhorar visibilidade de endpoints (para detectar antes de criptografar)?

Se você não consegue responder “quantas máquinas estão sem proteção/atualização agora”, você está cego — e ransomware adora empresa cega.

Mínimo viável:

  • Console central de endpoint

  • EDR (não só antivírus) com telemetria e capacidade de isolar endpoint

  • Cobertura e saúde do agente (quem não reporta vira “buraco negro”)

Isso também ajuda a como evitar vírus na empresa no sentido amplo: você reduz malware “comum” e aumenta detecção comportamental do ataque moderno.

4) Como detectar movimentação lateral (o passo que transforma incidente em apagão)?

Movimentação lateral é quando o atacante entra em 1 máquina e tenta dominar o ambiente (AD, file server, backups).

Sinais práticos que valem alerta:

  • Login admin em horário incomum

  • Um usuário autenticando em muitas máquinas em poucos minutos

  • Execução remota (WMI/PsExec/serviços) fora de janela

  • Criação de novos admins/grupos no AD “do nada”

Controles que reduzem o estrago:

  • Segmentação de rede (servidores críticos isolados)

  • Senhas locais únicas por máquina (evita “efeito dominó”)

  • Restrições a protocolos e compartilhamentos desnecessários

5) Como proteger rede contra invasões (sem virar refém de “alert fatigue”)?

Firewall bem configurado + políticas internas = menos superfície e menos “caminho” para o atacante.

Táticas objetivas:

  • Cortar RDP exposto e acessos remotos sem MFA

  • “Deny by default” onde fizer sentido

  • Monitorar saída (egress) e bloquear destinos maliciosos quando possível

  • Correlacionar rede + identidade + endpoint para “história completa” (e não alertas isolados)

Backups: o ponto que separa “perdi tudo” de “voltei ao ar”

Backups são o seu “plano B” quando algo passa. Mas o detalhe que salva é: backup offline/imutável + teste de restauração.

A CISA reforça exatamente isso no #StopRansomware Guide: manter backups offline/criptografados e testar regularmente a disponibilidade e integridade em cenário de recuperação.

Checklist de backup que aguenta ransomware:

  • Pelo menos uma cópia offline/imutável

  • Contas de backup com privilégios mínimos e isoladas

  • Teste de restauração (mensal ou trimestral) com registro de evidência

  • Prioridade de restauração definida (sistemas críticos primeiro)

Como reduzir alertas de segurança (alert fatigue) sem ficar cego

Alert fatigue geralmente é “muito alerta genérico, pouco contexto”.

7 ajustes que dão ganho rápido:

  1. Defina o que é evento vs incidente

  2. Priorize por criticidade do ativo

  3. Enriquecer alertas com contexto (usuário privilegiado, origem, histórico)

  4. Correlacione cadeia de ataque (login anômalo + execução + acesso a shares)

  5. Tuning semanal do “top 10 falsos positivos”

  6. Automação de contenção simples (quando possível)

  7. Uma fila única de incidentes (ITSM/SOC)

Empresa foi atacada por ransomware: o que fazer nas primeiras 2 horas

Aqui é execução, não debate.

Playbook objetivo:

  1. Isolar endpoints e servidores suspeitos (EDR / rede)

  2. Bloquear credenciais comprometidas (reset + derrubar sessões)

  3. Conter movimentação lateral (segmentar, bloquear acessos internos suspeitos)

  4. Checar exfiltração (picos de saída, destinos incomuns)

  5. Preservar evidências (logs de identidade, endpoint, firewall)

  6. Acionar resposta a incidentes (time interno + parceiro)

Experiência real que reforça o “porquê”: a Reuters descreveu que o caso Colonial Pipeline envolveu comprometimento associado a login de VPN e recomendação clara de uso de autenticação forte (ex.: 2FA/MFA). Isso ilustra como “acesso sem segunda etapa” é uma avenida clássica para ransomware.

Como proteger dados sensíveis LGPD contra ransomware (sem “teatro de compliance”)

Ransomware hoje é também extorsão: além de criptografar, muitas vezes exfiltra e ameaça publicar.

O que realmente ajuda LGPD na prática:

  • Classificação simples (Público/Interno/Confidencial/Sensível)

  • Acesso mínimo (RBAC) + trilha de auditoria

  • Criptografia onde faz sentido

  • Governança de compartilhamento (links com expiração, permissões mínimas)

  • Plano de resposta a incidentes com comunicação e evidência

FAQ — Como evitar ransomware na empresa

1) Antivírus sozinho evita ransomware?
Não. Ele ajuda, mas ransomware moderno explora credenciais, acesso remoto e falhas sem patch. Precisa de MFA, EDR, segmentação e backups testados.

2) Qual é a prioridade número 1 para reduzir risco rápido?
MFA em tudo que é remoto e administrativo. Casos reais mostram que ausência de MFA em acesso remoto pode ser decisiva.

3) Backup resolve?
Backup só “resolve” se for offline/imutável e se a restauração for testada.

4) Como detectar ransomware antes de criptografar tudo?
Com visibilidade de endpoint (EDR), correlação de eventos (identidade + rede + endpoint) e alertas para sinais de lateral movement e exfiltração.

5) O que fazer se a empresa foi atacada por ransomware?
Conter rápido (isolar, bloquear credenciais), investigar escopo com logs e acionar resposta a incidentes. O tempo é o seu inimigo.

6) Como reduzir alert fatigue?
Menos regra genérica e mais correlação com contexto; tuning contínuo e automação do repetitivo.

Quer um plano de 30 dias para reduzir risco de ransomware?

Se você quer sair do “conteúdo” e ir para a execução, agende uma reunião com o time da Infob. Em uma conversa rápida, a gente mapeia seu cenário (MFA, exposição externa, endpoints, backups, segmentação) e te entrega um plano de prioridades com quick wins para reduzir risco de ransomware nas próximas semanas.